Donald Trump quer atacar furacão com armas nucleares

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Segundo relatos o Presidente Trump teve a brilhante idéia em uma reunião: Soltar uma bomba atômica no centro de um furacão, a energia da explosão irá dissipá-lo, the end. A idéia é péssima, mas em defesa de Trump, também não é original, e foi considerada a sério por algum tempo.

Os assessores disseram que iriam “investigar a possibilidade”, e Trump teria insistido mais de uma vez que uma bomba atômica evitaria que os furacões atingissem o território americano.

Estamos no começo da temporada de furacões no Hemisfério Norte, e a tempestade tropical Dorian se encaminha para Porto Rico. Trump reclamou disso, “depois de tanto dinheiro mandado pra Ilha”. A idéia de lançar ogivas termonucleares nos furacões aparentemente surgiu da impotência diante da inevitabilidade de um furacão, mas Trump propôs isso por ser burro?

Em realidade não, ele é apenas mal-informado. Assim como a maioria das pessoas ele superestima a capacidade das armas nucleares e subestima a energia de uma tempestade. Bombas atômicas são sugeridas para todos os desastres, na época do Tsunami do Japão teóricos da conspiração disseram que ele foi causado por uma bomba atômica no Pacífico, o que é cômico, a energia do terremoto que gerou o Tsunami é várias ordens de magnitude maior do que nossa maior bomba.

As pessoas sugerem bombas atômicas para selar vulcões, estabilizar falhas geológicas, desviar enchentes e se livrar de focos de invasões alienígenas. São bobagens de leigos bem-intencionados, e dado o interesse zero de Trump em entender as minúcias do arsenal nuclear à sua disposição, é isso que ele é: Um leigo.  Mesmo assim a idéia de usar nukes contra furacões já foi proposta a sério.

Em 1961 Francis W. Riechelderfer, Chefe do Departamento de Meteorologia dos EUA propôs em uma apresentação lançar bombas de Hidrogênio  em furacões quando ainda estivessem distantes no mar. Não foi a primeira idéia de desvio de finalidade das armas nucleares. O mundo vivia a Guerra Fria mas também a emoção da Era Atômica, a energia nuclear iria salvar o mundo e melhorar nossas vidas.

Tanto EUA quanto União Soviética tinham projetos com um monte de idéias de usos não-militares de artefatos nucleares. Nos Estados Unidos era o Projeto PLOWSHARE (Arado), que sugeria detonações nucleares para criar portos artificiais, abrir vales através de montanhas e alargar o Canal do Panamá.

Link pro documento original. Sim, eu amo a Internet.

Em seu livro Almighty Atom: The Real Story of Atomic Energy, John Joseph O’Neill explicou que as calotas polares eram uma anomalia, e explosões nucleares poderiam ser usadas para derretê-las, dando ao mundo um agradável clima mais úmido e mais quente. Tem como não amar os pioneiros do Aquecimento Global?

A idéia original foi do também meteorologista Jack W. Reed, que em 1959 propôs enviar submarinos para o olho de furacões e de lá detonar um ou mais mísseis na atmosfera. Um monte de gente teve a mesma idéia de forma independente, em cartas para jornais e mesas de bar, mas mesmo no documento original do Projeto PLOWSHARE, já é explicado matematicamente como usar bombas atômicas contra furacões é uma péssima idéia.

Como não é uma boa idéia?

Há dois elementos complicadores aqui. O primeiro é radiação. A menos que você queira que o Aquaman tenha filhos esquisitos, não é uma boa idéia detonar armas nucleares no oceano, e como os ventos das tempestades rumam para o continente, o furacão transformado em tempestade tropical vai irradiar toda a costa, você vai acabar molhado e com câncer. Os próprios cientistas que sugeriram usar armas nucleares contra furacões explicavam que isso deveria ser feito depois de inventarem um meio de eliminar a radiação.

O segundo complicador é mais simples: Não funciona. Furacões são grandes, MUITO grandes. O Furacão Carla, de 1961 tinha 800Km de diâmetro. Eles carregam uma quantidade assombrosa de energia térmica, que é o que provoca os ventos.

Grande bagarai

Um furacão em média tem 20×1013 Watts de energia. 10% disso é convertido em energia mecânica, gerando ventos. Esses 10% são equivalentes a uma ogiva termonuclear de 10 Megatons. A cada dez minutos.

Uma explosão no centro de um furacão geraria uma zona de alta pressão momentânea, mas imediatamente toda a coluna de ar voltaria a ocupar o espaço. A variação de temperatura também seria rapidamente absorvida pelo resto da tempestade. Para reduzir um furacão de Categoria 5 com um olho de 20Km de raio é preciso aumentar a pressão, o que significaria introduzir na atmosfera local 500 milhões de toneladas de ar. Nenhuma bomba chega perto disso.

Há a sugestão de atacar os furacões quando ainda são pequenos, meros núcleos de tempestades, mas todo ano formam-se uns 80 desses, e só 5 ou 6 viram furacões, explodir 80 ogivas nucleares na atmosfera a cada ano é algo que nem o Trump cogitaria. Exceto se os núcleos se formarem sobre o México, claro.

A idéia de usar armas nucleares contra furacões é tão popular que o NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration)  tem até uma FAQ desmistificando isso. Ou seja: Trump poderia perfeitamente ter botado sua dúvida no Google, evitaria (de novo) passar vergonha. Se bem que agora previsivelmente ele nega ter dado a sugestão.



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