A pandemia ainda não tem data para acabar, e um novo estudo publicado pelo periódico The Lancet Global Health traz dados alarmantes sobre o cenário que está por vir. De acordo com a pesquisa, uma a cada cinco pessoas no mundo possui alguma condição capaz de elevar a gravidade da covid-19 – o que representa 1,7 bilhão de indivíduos.
Existem, claro, outros fatores ligados ao chamado grupo de risco, formado, inclusive, por pessoas saudáveis, como idade avançada e obesidade – aumentando a suscetibilidade ao desenvolvimento de quadros mais danosos –, além de pobreza – uma vez que regiões e grupos sem recursos financeiros se deparam com a escassez de suporte médico e tratamento. Entretanto, todos eles foram desconsiderados.
Dados são preocupantes, mas levantamento pode auxiliar em medidas mais eficazes de proteção.Fonte: Pixabay
Se, por um lado, os dados trazem preocupação, por outro, podem se tornar aliados poderosos em pouco tempo. Isso porque, com essas informações, é possível determinar a vulnerabilidade da população e dedicar esforços para direcionar vacinas ou tratamentos eficazes prioritariamente àqueles que mais podem sofrer com o novo coronavírus.
Sabia-se, até o momento, dos perigos da pandemia especialmente para essas pessoas. No entanto, Andrew Clark, autor do estudo, afirma que o avanço da pesquisa se dá na construção de uma dimensão mais exata da quantidade de envolvidos.
Metodologia
Foram compiladas 11 categorias que demandam tratamento contínuo, como doenças renais, pulmonares, respiratórias e cardíacas, entre outras. Pacientes imunocomprometidos também integraram a lista. Depois disso, os pesquisadores extraíram dados da Global Burden of Disease Study, pesquisa mundial com última atualização em 2017, para identificar a quantidade de portadores dessas condições.
Com informações consolidadas de aproximadamente 200 países, os cientistas chegaram à taxa de cerca de 22% de habitantes do planeta que apresentam maior risco quando expostos ao SARS-CoV-2. Ainda assim, Andrew Clark é enfático: “Nem todo mundo que tenha algo do tipo vai precisar de hospital”. Segundo ele, maior risco não quer dizer que o risco seja, necessariamente, alto.
Maior risco não determina que seja, necessariamente, um risco alto.Fonte: Pixabay
Quanto à necessidade de suporte médico, bem, as notícias não são exatamente animadoras. Estima-se que cerca de 349 milhões de pessoas precisariam de hospitalização caso fossem infectadas, totalizando cerca de 4% mundiais.
Começo de uma série de abordagens
Apesar de bem-vinda, essa é apenas a primeira de uma série de novas pesquisas mais detalhadas, uma vez que desconsidera diversos fatores determinantes para ações localizadas. Afinal, como dito em sua conclusão, “com medidas de distanciamento variável no mundo todo e desconhecimento substancial sobre a transmissibilidade do vírus em diferentes contextos, qualquer tentativa de calcular o número de infectados em diferentes países será altamente incerta.”
“De qualquer forma, esperamos que nossas estimativas forneçam um ponto inicial útil para que se calcule quantos precisarão ser protegidos ou vacinados à medida que a pandemia global da covid-19 se desenrola.”
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